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19/09/2026

Seis riscos para
a economia global

Cenários de risco para a economia global em 19 de setembro de 2026

Fabricio Echeverria Sócio-fundador e Diretor de Gestão · Oby Capital

O Brent está em US$ 104, contra US$ 70–72 antes da guerra, e o crescimento mundial projetado para 2026 vai de 2,5% a 3,0%, com 1,3% a ~2% nos cenários adversos.

Indicadores de referência

Brent
US$ 104
WTI US$ 100
fechamento de 18/09/2026
Fed funds
3,75–4,00%
+25 bps
16/09/2026, decisão 12–0
Treasury 10 anos
~5,00%
maior nível em anos
2 anos 4,70% · 30 anos 5,35%
Ormuz
7,6 mb/d
−13,1 mb/d
agosto/26 vs. ~21 mb/d pré-guerra
Diesel EUA
US$ 6,45
recorde
por galão · gasolina US$ 4,47
Crescimento 2026
2,5–3,0%
1,3% a ~2% no adverso
base: Banco Mundial 2,5% · FMI 3,0%
Por que agora

Os investimentos em inteligência artificial e a atividade nos EUA ainda sustentam o crescimento. Mas há menos recursos para enfrentar novos choques do que em 2022: os estoques de petróleo diminuíram, os governos têm menos espaço para gastar e as regras do comércio perderam força. As bolsas também estão mais vulneráveis. Enquanto o investimento continuar, ele ajuda a sustentar o PIB americano e as ações. A combinação dos riscos pode trazer crescimento fraco, inflação persistente e crédito mais caro.

Fonte: Oby Capital · FMI (WEO Update, jul/2026), Banco Mundial (GEP, jun/2026), IEA (18/09/2026), Federal Reserve (SEP, 16/09/2026) · posição em 18–19/09/2026
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Três blocos: o choque físico de energia e abastecimento, o preço do dinheiro em juros e dívida pública, e a moldura de custo formada por barreiras comerciais e investimento em IA.

Os seis riscos

Risco 1 · Bloco 01
Energia e Ormuz
Guerra do Irã desde 28/02/2026. Fluxo de 7,6 mb/d, ante ~21 antes da guerra. Falta de oferta de 1,7–2,2 mb/d após rotas alternativas.
Risco 2 · Bloco 02
Inflação e juros
Falta de oferta e juros altos. Fed a 3,75–4,00%, com retorno da inflação à meta de 2% apenas em 2029.
Risco 3 · Bloco 03
Fragmentação
Tarifas, controles de exportação e política industrial. Risco nº 1 do WEF para 2026.
Risco 4 · Bloco 02
Fragilidade fiscal
Dívida recorde com juro real alto. Spread França–Alemanha acima de 100 bps pela primeira vez desde 2012.
Risco 5 · Bloco 01
Abastecimento
Interrupções em dois estreitos e danos ao refino do Golfo limitam a oferta de combustíveis, fertilizantes e GNL.
Risco 6 · Bloco 03
Investimento em IA
Mais de US$ 1 tri entre 2025 e o fim de 2026. Uma redução desses gastos enfraqueceria o crescimento.
Fonte: Oby Capital · IEA, WEF (Global Risks 2026), BIS (Annual Economic Report 2026), Reuters · posição em 19/09/2026
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Bloco 01 · Riscos 1 e 5

Quanto tempo pode durar a escassez de energia?

O fluxo por Ormuz caiu de ~21 mb/d antes da guerra para 7,6 mb/d em agosto, mas as rotas alternativas reduzem a falta efetiva de oferta a 1,7 mb/d no 3º trimestre, segundo a IEA.

Energia: Ormuz

Como a falta de energia afeta a economia

O choque afeta a economia de quatro formas. Importadores perdem renda ao pagar mais por energia. Fretes, alimentos e produtos químicos encarecem. A falta de combustível pode interromper o transporte. E a inflação pode levar a juros mais altos, encarecendo o crédito.

Rotas alternativas transportam menos

O fluxo por Yanbu e Fujairah passou de 4,1 para 7,8 mb/d em junho, mas recuou para 5,5 mb/d em agosto após ataques no Mar Vermelho. Um ataque interrompeu o oleoduto Leste-Oeste no início de setembro. Fora do Golfo, a oferta cresceu: EUA +520 kb/d, Brasil +470, Cazaquistão +440, Venezuela +300 e Nigéria +200.

Por que isso importa

A reserva estratégica americana está próxima de 285 milhões de barris, o menor nível em 44 anos, segundo as fontes citadas. O uso dos estoques ajudou a cobrir a falta de oferta, mas reduziu a capacidade de enfrentar novas interrupções.

Fluxo pelo Estreito de Ormuz e déficit efetivo

22 11 0 Pré-guerra: ~21 mb/d (~16 de petróleo bruto + ~5 de derivados) 21,0 Agosto de 2026: 7,6 mb/d 7,6 Déficit efetivo da IEA no 3º trimestre: 1,7 mb/d 1,7 Pré-guerra Agosto/26 Déficit efetivo 3T ~16 bruto + ~5 derivados −13,1 vs. pré-guerra 2,2 no 2T

Valores em milhões de barris por dia. As fontes citam perda acumulada de exportações marítimas de ~2,8 bilhões de barris. Escala iniciada em zero.

Fonte: Oby Capital · IEA (comentário de 18/09/2026), McKinsey Global Institute (17/09/2026) · dados de agosto e 3º trimestre de 2026
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A restrição está nos derivados: o refino do Oriente Médio rodou 27% abaixo do normal no 2º trimestre e o diesel no varejo dos EUA bateu recorde a US$ 6,45 o galão.

Escassez de combustíveis

Refino do Oriente Médio

−27%

Processamento no 2º trimestre de 2026 em relação ao normal. Refinarias de outras regiões já operam perto do limite e recebem tipos de petróleo menos adequados às suas instalações, o que reduz a produção de diesel e querosene.

Diesel no varejo dos EUA

6,45 US$/gal

Preço recorde, com gasolina a US$ 4,47. A diferença entre o preço do diesel e o custo do petróleo nos EUA supera US$ 100 por barril, segundo as fontes citadas. Isso encarece o frete, os alimentos e a produção industrial.

Querosene transportado por mar

−1/3

Queda no comércio marítimo de querosene. O de diesel recuou cerca de 20%. A falta desses combustíveis pode interromper o transporte antes de aparecer nas estatísticas do PIB.

A falta de capacidade de refino mantém os combustíveis caros

Rotas alternativas, maior oferta fora do Golfo e estoques estratégicos compensaram parte da falta de petróleo. Mas a capacidade de refino continua limitada, mantendo a pressão sobre o custo do frete e dos alimentos. Brent a US$ 104 e WTI a US$ 100 no fechamento de 18/09, com o bloqueio perto do 203º dia.

Fonte: Oby Capital · Columbia CGEP (nota sobre derivados, ago/2026), IEA (18/09/2026), EIA (Weekly Petroleum Status) · dados do 2º e 3º trimestres de 2026
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Do base ao severo, o Brent vai de US$ 85–105 a um pico acima de US$ 130, e o crescimento mundial de −0,3 pp contra a base a cerca de 1,3%.

Energia: cenários

BaseAdversoSevero
Brent, média 2TUS$ 85–105, com oscilaçõesUS$ 110–130, persistentePico de US$ 130–150+, depois volátil
DestiladosOferta restrita, sem racionamento na Europa ou ÁsiaMargem de refino do diesel muito alta. Falta querosene na EuropaTransporte interrompido e falta de fertilizantes e alimentos
Crescimento global
vs. base
−0,3 a −0,6 pp−0,8 a −1,2 pp~1,3% de crescimento mundial (cenário do Banco Mundial)
Inflação+1 a +1,7 pp+2 a +3 pp5–6% global
DuraçãoReabertura parcial de Ormuz no 1º semestre de 2027Interrupções continuam em 2027 no oleoduto Leste-Oeste e no Mar VermelhoDois estreitos bloqueados, refino parado e estoques estratégicos esgotados
Sinais para rever o cenário: Ormuz abaixo de 5 mb/d por quatro semanas, estoque de diesel dos EUA abaixo de 100 milhões de barris (sinalização da EIA), oleoduto Leste-Oeste parado por mais de seis semanas ou segunda liberação emergencial da IEA. Mais expostos: importadores de energia, como Europa, Índia, Leste e Sudeste Asiático. Nos emergentes, pioram a renda real, a conta corrente e o câmbio. Empresas precisam de mais capital de giro, obtêm prazos menores e podem se tornar inadimplentes nos trimestres seguintes.
Fonte: Oby Capital · IEA (18/09/2026), McKinsey Global Institute (17/09/2026), Banco Mundial (GEP, jun/2026), FMI (WEO, abr e jul/2026), Capital Economics · cenários construídos pela Oby Capital sobre essas fontes
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Ormuz e Bab el-Mandeb estão sob pressão ao mesmo tempo — os ataques no Mar Vermelho derrubaram o desvio de 7,8 para 5,5 mb/d — e o GNL do Catar cai de 81 Mt em 2025 para 27 Mt em 2026.

Abastecimento e transporte

Restrições ao transporte e à produção

Este risco trata das restrições ao abastecimento e ao transporte: estreitos bloqueados, refinarias danificadas, falta de fertilizantes e seguro de guerra mais caro. Rotas longas e seguros elevam o custo mesmo sem tarifas. O risco 3 trata das barreiras comerciais e das regras entre países.

O que já aconteceu

O refino do Golfo caiu 27%, reduzindo o comércio de diesel e querosene. Com os danos em Ras Laffan, o GNL do Catar cai de 81 Mt para 27 Mt em 2026. O uso de carvão volta a níveis recordes para compensar a falta de energia, com maior impacto ambiental.

Como chega ao crédito

Prazos curtos de capital de giro, juros altos e demanda fraca podem elevar a inadimplência em dois a três trimestres. O sinal aparece antes disso, no encurtamento do prazo das linhas de giro e na troca de antecipação de recebíveis por capital de giro.

Cenários de logística

Logística e indústriaInflação e crescimento
BaseRotas longas e frete caro, sem desabastecimento no G7. Empresas precisam de mais estoque e capital de giro.Preços dos bens seguem pressionados. Indústria recua pouco.
AdversoRacionamento de diesel na Europa e na Ásia. Falta fertilizante, empresas perdem pedidos e adiam investimentos.Novas altas de alimentos e bens. Recessão industrial nos importadores.
SeveroFalta de combustível interrompe o transporte e a produção química e automotiva.Alta de alimentos supera 2022. Crescimento mundial de 1,3%, cenário do Banco Mundial.

Cenários construídos pela Oby Capital sobre IEA, Columbia CGEP, Kpler (29/07/2026) e McKinsey. Indicadores: prêmio de seguro de guerra para petroleiros e contêineres, estoque de derivados da IEA, índice de preços de alimentos da FAO, notícias de racionamento de energia na China.

Fonte: Oby Capital · IEA, Columbia CGEP, Kpler (29/07/2026), McKinsey Global Institute, Febraban e Banco Central do Brasil (estatísticas de crédito) · dados de 2026
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Bloco 01 · conclusão

A capacidade de refino pode limitar a oferta até 2027

A oferta de derivados continua restrita. Após as rotas alternativas, a falta de oferta é de 1,7–2,2 mb/d, ante a queda de 13,1 mb/d em Ormuz. O refino do Golfo caiu 27%, sem capacidade ociosa equivalente em outras regiões.

Estoques e rotas alternativas perderam capacidade. O fluxo desviado recuou de 7,8 para 5,5 mb/d, o oleoduto Leste-Oeste parou e a reserva estratégica americana está no menor nível em 44 anos.

Quando rever o cenário-base. Fluxo em Ormuz abaixo de 5 mb/d por quatro semanas ou estoque de diesel dos EUA abaixo de 100 milhões de barris. Nesta análise, qualquer uma dessas condições exige a revisão.

Bloco 02 · Riscos 2 e 4

Quanto custa o dinheiro depois do choque de energia?

O Fed elevou os juros em 25 bps para 3,75–4,00% em 16/09, a primeira alta desde 2023, e 16 dos 18 membros projetam ao menos mais uma em 2026.

Juros e custo do crédito

Situação atual

As projeções de setembro indicam juros de 4,1% no fim de 2026 e de 2027. Para 2026, preveem inflação PCE de 3,7%, núcleo de 3,4%, crescimento do PIB de 2,3% e desemprego de 4,1%. O retorno à meta de 2% ocorre em 2029. O Fed é presidido por Kevin Warsh.

Taxas de mercado

O Treasury de 10 anos está perto de 5%, nível visto pela última vez por volta de 2023. O de 2 anos está em 4,70%, e o de 30 anos, em 5,35%. A hipoteca de 30 anos custa cerca de 7%. O petróleo responde por aproximadamente 0,8 pp da inflação americana de 2026. BCE e Banco do Japão também elevaram os juros.

Por que isso importa

Juros mais altos reduzem consumo e investimento. Como a pressão vem da falta de oferta, os preços podem continuar elevados mesmo com atividade mais fraca. O risco é uma alta excessiva dos juros agravar a desaceleração e encarecer ainda mais o crédito.

Curva de juros dos EUA, 18/09/2026

4,0% 4,5% 5,0% 5,5% Fed funds 3,75–4,00% 2 anos: 4,70% 10 anos: 5,00% 30 anos: 5,35% 4,70% 5,00% 5,35% 2 anos 10 anos 30 anos

O eixo vertical vai de 3,8% a 5,5% para mostrar as diferenças entre os prazos. A linha tracejada indica o limite superior da faixa atual dos juros do Fed.

Fonte: Oby Capital · Federal Reserve (projeções e coletiva de 16/09/2026), Reuters, Morningstar · fechamento de 18/09/2026
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O base embute Fed em 4,00–4,25% e Treasury de 10 anos entre 4,7% e 5,2%; o adverso leva a 4,50–4,75% e 5,3–5,8% caso o fluxo por Ormuz não se normalize.

Juros: cenários

BaseAdversoSevero
Fed funds fim de 20264,00–4,25%4,50–4,75% (três altas)5%+ ou alternância entre altas e cortes
Treasury 10 anos4,7–5,2%5,3–5,8%6%+ após alta rápida
Crescimento dos EUA~2,0–2,3%1,0–1,5%Abaixo de 1% ou recessão leve
InflaçãoPCE de 3,5–3,8% em 2026, caindo em 2027 se o petróleo ficar mais baratoNúcleo permanece acima de 3% até 2027Expectativas se afastam da meta. Inflação de 4%+ em 2026 e 2027
CréditoCrédito com grau de investimento estável. Spreads de high yield sobem 50 a 100 bpsDificuldades no high yield e nas hipotecas. Emergentes interrompem cortes de jurosCrise de crédito. Bolsa cai 20%+ se o investimento em IA também recuar
Pressões adicionais: recomposição salarial em setores que consomem muita energia, reajustes de aluguel com defasagem e maior gasto com dívida. Sinais de piora: núcleo do PCE anualizado de três meses acima de 4%, Treasury de 10 anos acima de 5,25% por uma semana, hipotecas acima de 7,5% ou alta da inflação implícita após um pico do diesel. Brasil: juros americanos altos limitam cortes da Selic. Combustíveis e alimentos importados pressionam o IPCA, cuja meta é de 3%.
Fonte: Oby Capital · Federal Reserve (projeções de 16/09/2026), CME FedWatch, Morningstar · cenários construídos pela Oby Capital sobre essas fontes
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O spread França–Alemanha de 10 anos superou 100 bps em 18/09, o primeiro desde 2012, com dívida em risco estimada pelo FMI em ~117% do PIB mundial em três anos.

Dívida pública e juros

Spread França–Alemanha, 10 anos

>100 bps

Em 18/09/2026, o spread superou esse nível pela primeira vez desde 2012. O déficit francês é de 5,4%, ante meta de 5%. O serviço da dívida aumenta €4,5 bi neste ano e €10 bi no próximo.

Dívida em risco, 3 anos à frente

~117% do PIB

Estimativa do FMI. A alta dos juros americanos se transmite em proporção próxima de um para um aos títulos de outros governos. Cerca de 50% dos países de renda baixa e média-baixa já enfrentam dificuldades com a dívida ou risco elevado.

Sensibilidade do spread à dívida

8 a 26 bps

Uma alta de 1 pp na relação dívida/PIB eleva o spread em 8 bps quando a dívida está em 45% do PIB e em 26 bps quando está em 80%. Quanto maior a dívida, maior o efeito sobre o custo de financiamento.

Juros altos encarecem a dívida. A preocupação fiscal pode elevar os juros novamente.

Fundos não bancários que usam alavancagem têm papel importante nas novas compras de títulos públicos. Quando os preços caem, esses fundos podem precisar vender rapidamente, ampliando as perdas. O BIS destaca o risco de dificuldades de negociação no mercado de Treasuries.

Fonte: Oby Capital · BIS (Annual Economic Report 2026 e Working Paper 1364), FMI (Fiscal Monitor, abr/2026), Banco Mundial (GEP, jun/2026), Reuters e Capital Economics (18/09/2026)
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Do base ao severo, o Treasury de 10 anos vai de 4,8–5,2% a mais de 6%, e o que separa os cenários é a liquidez do mercado de títulos, não o estoque de dívida.

Dívida pública: cenários

Treasury 10 anosEconomias avançadasEmergentesBancos e crédito
Base4,8–5,2%Piora gradual, sem crise na FrançaSpreads +50 a +100 bpsInadimplência sobe pouco
Adverso5,5%+Crise política e orçamentária na França, no Reino Unido ou na Itália. Disputa fiscal nos EUA50% dos países de renda baixa já em risco alto. Calotes em mercados de fronteiraEmissões de high yield param. Capital de giro encarece
Severo6%+ e dificuldade de negociaçãoProblemas no mercado de Treasuries. Intervir para estabilizá-lo pode dificultar o controle da inflaçãoParada súbita de financiamento em dois ou três paísesCrise de crédito. Perdas com dívida pública fragilizam bancos
Sinais de piora: spread França–Alemanha acima de 120 bps, oscilações anormais entre os juros de 10 e 30 anos nos EUA, leilão sem demanda suficiente no G7 ou emergentes sem conseguir emitir dívida em moeda forte por mais de quatro semanas. Brasil: a participação elevada de LFT faz cortes da Selic reduzirem o custo da dívida. Juros globais mais altos e desvalorização cambial dificultam esse alívio. Acompanhar as LFT em relação à faixa de 46–50% do Tesouro.
Fonte: Oby Capital · BIS (AER 2026 e WP 1364), FMI (Fiscal Monitor, abr/2026), Banco Mundial (GEP, jun/2026, capítulo de dívida), Tesouro Nacional · cenários construídos pela Oby Capital
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Bloco 02 · conclusão

Juros altos dificultam a recuperação e aumentam o custo da dívida

A alta dos juros responde à falta de oferta. O Fed está em 3,75–4,00%, com 16 de 18 membros projetando novas altas. A inflação retorna à meta de 2% em 2029, e o petróleo responde por 0,8 pp da inflação de 2026. Juros altos reduzem a demanda, mas a restrição de combustível permanece.

A dívida pública aumenta a pressão sobre os juros. O Treasury a 5% se transmite em proporção próxima de um para um aos demais países. O spread francês passou de 100 bps. A sensibilidade do spread à dívida triplica entre 45% e 80% do PIB.

Sinais de piora nos dois riscos. Núcleo da inflação anualizado de três meses acima de 4% ou Treasury de 10 anos acima de 5,25% por uma semana indicam o cenário adverso para juros e dívida pública.

Bloco 03 · Riscos 3 e 6

O que encarece o custo de forma permanente e o que ainda sustenta o crescimento?

O comércio sob a regra de nação mais favorecida caiu de ~80% em 2022 para ~72%, e a diferença entre fortalecer e enfraquecer as regras chega a ~10% do PIB mundial até 2050.

Fragmentação geoeconômica

Situação atual

Na pesquisa do WEF, o confronto econômico entre países é o risco nº 1 de provocar uma crise em 2026, citado por 18% dos participantes. O conflito armado aparece em segundo lugar.

Custos das barreiras comerciais

WEF e Oliver Wyman estimam US$ 213 a 307 bilhões por ano de custo de fragmentação e +0,2 a +0,3 pp de inflação. No caso severo, 6,4% do PIB, ou US$ 6,9 trilhões, com emergentes fora dos blocos perdendo ~10,7% contra 6,4% do mundo.

Por que isso importa

As barreiras comerciais mantêm os custos altos mesmo com a reabertura de Ormuz. Empresas duplicam cadeias de produção e adiam investimentos por incerteza. O efeito pesa sobre emergentes pequenos e abertos, processadores de commodities e os setores automotivo e eletrônico. Países que recebem fluxos desviados podem se beneficiar, mas também enfrentar novas restrições.

OMC: cenários até 2050 contra a linha de base

PIBExportações
0 +18 −27 Blocos geoeconômicos: PIB −5,1% Blocos geoeconômicos: exportações −18,6% −5,1 −18,6 OMC enfraquecida e acordos separados: PIB −6,9% OMC enfraquecida e acordos separados: exportações −26,9% −6,9 −26,9 Multilateralismo reforçado: PIB +2,9% Multilateralismo reforçado: exportações +17,9% +2,9 +17,9 Blocos geoeconômicos OMC enfraquecida Multilateralismo reforçado

Variação percentual do PIB e das exportações em 2050 em relação ao cenário de referência. Países pobres têm perdas maiores nos cenários negativos.

Fonte: Oby Capital · OMC (World Trade Report 2026, 15/09/2026), WEF (Global Risks Report 2026 e nota de fragmentação, jun/2026), Reuters · projeções de nível para 2050
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O BofA projeta ~US$ 795 bilhões de investimento em IA em 2026 e ~US$ 1,08 trilhão em 2027, acima do caixa gerado pelas empresas, o que aumenta a necessidade de dívida.

Investimento em IA e crescimento

Contribuição para a atividade

O investimento em IA gera demanda por chips, energia e construção, além de empregos. Também sustenta as expectativas de lucro e o preço das ações. Os gastos das grandes empresas de tecnologia têm contribuído para o crescimento americano.

Se o retorno ficar abaixo do esperado

Se o retorno decepcionar, cortes de investimento podem reduzir o PIB dos EUA e da Ásia. A queda das ações diminui o patrimônio dos investidores e pode reduzir o consumo. Empresas ligadas à IA também podem precisar refinanciar dívidas a juros maiores.

Sinais recentes

O BIS compara o ciclo atual com os de canais, ferrovias, eletrificação e empresas de internet: expectativas elevadas podem dar lugar à decepção, à falta de financiamento e a vários trimestres de investimento reduzido. Nesta semana, executivos de empresas que desenvolvem IA falaram em moderar o ritmo, e as ações de semicondutores caíram.

Investimento previsto para 2026, em US$ bilhões

Amazon: ~US$ 200 bi AMZN ~200 Microsoft: ~US$ 190 bi MSFT ~190 Alphabet: US$ 175 a 205 bi Alphabet: faixa até US$ 205 bi GOOGL 175–205 Meta: US$ 125 a 145 bi Meta: faixa até US$ 145 bi META 125–145 Oracle: ~US$ 50 bi ORCL ~50 0 100 200

Previsões de investimento divulgadas pelas empresas para 2026, com as faixas informadas por cada uma. Escala iniciada em zero. O total de ~US$ 700–800 bi é compatível com a projeção de ~US$ 795 bi do BofA.

Fonte: Oby Capital · BIS (AER 2026), BofA e compilações de investimento, previsões das próprias companhias (AMZN, MSFT, GOOGL, META, ORCL), Reuters (15/09/2026) · previsões para 2026
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Do base ao severo, o investimento sai de um crescimento mais lento para uma queda acima de 30%, que aproxima os EUA da estagnação e leva fornecedores asiáticos à recessão.

Investimento em IA: cenários

Investimento 2027 vs. 2026BolsaCrescimentoCrédito
BaseCresce em ritmo menorOscila, sem queda acentuadaIA soma +0,3 a +0,5 pp ao PIB dos EUAEmpresas de tecnologia com grau de investimento mantêm acesso ao crédito
AdversoEstável a −15%Semicondutores −25% a −40%. S&P −10% a −15%EUA −0,5 a −1,0 pp contra a baseDificuldades no high yield e no crédito a centros de dados
Severo−30% ou maisS&P −20%+ (cenário da Capital Economics para 2027)EUA perto da estagnação. Recessão nos fornecedores asiáticosCaptação por necessidade de caixa, risco de descumprir contratos e consumo menor após perdas na bolsa
Sinais de piora: redução dos planos de investimento nos resultados, queda no uso e no preço de GPUs, spread do crédito ligado à IA mais de 200 bps acima do ano anterior ou ações de semicondutores 20% abaixo da máxima recente. Efeito combinado: se energia e juros continuarem caros, a queda do investimento e da bolsa enfraquece a atividade. Petróleo a US$ 100+ dificulta cortes de juros, e a queda da arrecadação agrava o risco fiscal.
Fonte: Oby Capital · BIS (AER 2026), Financial Times (28/06/2026), Reuters (15/09/2026), Capital Economics (set/2026) · cenários construídos pela Oby Capital
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Bloco 03 · conclusão

Custos maiores e dependência do investimento em IA

As barreiras comerciais mantêm os custos elevados. O comércio sob regras multilaterais caiu de 80% para 72%. O custo anual estimado é de US$ 213 a 307 bilhões, e os cenários da OMC apontam perdas de 5,1% a 6,9% do PIB em 2050. A reabertura de Ormuz, por si só, não elimina esses custos.

O investimento em IA ainda sustenta o crescimento. São mais de US$ 1 trilhão em dois anos. Como os gastos superam o caixa gerado, parte depende de financiamento.

O que acompanhar nos próximos resultados. Uma redução dos planos de investimento diminuiria o apoio ao crescimento enquanto os outros cinco riscos continuam presentes.

A corrente vai de energia a demanda em seis elos, com duas realimentações: a demanda menor reduz a inflação com defasagem e a piora fiscal eleva os juros longos.

Como os riscos afetam a economia

Energia Ormuz Inflação Bancos centrais Juro de 10 anos Fiscal Crédito Demanda Demanda menor reduz a inflação após 2 a 3 trimestres Risco fiscal eleva os juros longos Fragmentação custos elevados Investimento IA apoio à demanda

As linhas contínuas mostram os efeitos diretos. As tracejadas mostram como a queda da demanda reduz a inflação e como a piora fiscal eleva os juros. As barreiras comerciais mantêm os custos altos. O investimento em IA sustenta a demanda.

Fonte: Oby Capital · análise da Oby Capital com base em IEA, Federal Reserve, BIS, FMI e OMC · esquema conceitual
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Quatro combinações, sem probabilidades atribuídas, que vão de crescimento mundial de 2,4–2,8% no caso A a cerca de 1,3% no caso D.

Como os riscos se somam

Caso A · crescimento moderado
Guerra prolongada, investimento em IA continua
Mundo 2,4–2,8%
Brent US$ 90–110. Fed 4,00–4,25%. Inflação 4–5%. Dificuldades de crédito concentradas na França, no high yield e no capital de giro dos emergentes. Bolsas com desempenho desigual, ainda com demanda por tecnologia. Na avaliação da Oby, os preços de mercado refletem esse cenário.
Caso B · estagflação
Energia escassa, juros altos e abastecimento difícil
Mundo ~2,0%
Brent US$ 110–130 com episódios de racionamento de diesel. Fed acima de 4,5%. Inflação 5–6%. Treasury 10 anos 5,3–5,8%. Venda de moedas emergentes. Brasil: cortes de Selic param e a inadimplência sobe no crédito livre e no consignado.
Caso C · divisão comercial
Barreiras comerciais e piora fiscal
PIB −5,1% a −6,9%
Novas barreiras comerciais e financeiras levam empresas a adiar investimentos. Spreads de títulos públicos sobem na França e nos emergentes, enquanto o financiamento ao comércio diminui. O impacto se concentra nas economias emergentes mais abertas. O número é o nível de PIB em 2050 nos cenários da OMC, horizonte diferente do usado nos casos A, B e D.
Caso D · crise simultânea
Crise de energia e queda do investimento em IA
Mundo ~1,3%
A oferta de energia continua restrita e o investimento em IA cai. As bolsas recuam em meio a uma crise de crédito. Bancos centrais enfrentam dificuldade para conter a inflação e preservar a estabilidade financeira. É o caso extremo, com falta de energia e perda do apoio do investimento ao crescimento.
Fonte: Oby Capital · combinação dos cenários por risco elaborada pela Oby Capital com base em IEA, Federal Reserve, BIS, FMI, Banco Mundial e OMC · nenhuma probabilidade atribuída
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O Copom reduziu a Selic para 13,75% em 16/09, no quinto corte do ciclo e no mesmo dia em que o Fed elevou os juros, e o Treasury a 5% limita o espaço restante.

Brasil e crédito privado

Juros no Brasil e nos EUA

Brasil e EUA seguiram direções opostas nos juros. Com a taxa longa americana em 5%, cada corte da Selic reduz o diferencial de juros que favorece o real. Combustíveis e alimentos importados também pressionam o IPCA, cuja meta é de 3%.

O que o crédito já mostra

O crédito cresce mais devagar. Empresas substituem antecipação de recebíveis por capital de giro, e o prazo médio recua para 3,5 meses, ante 6,2. A inadimplência do consignado já estava elevada no meio do ano.

Por que isso importa para a carteira

A troca de antecipação de recebíveis por capital de giro pode indicar maior necessidade de caixa e merece atenção na análise das empresas. Como boa parte da dívida pública acompanha a Selic, cortes reduzem seu custo. Juros globais mais altos e a desvalorização cambial podem limitar esse alívio.

O que muda no Brasil em cada caso

Selic e curvaCrédito privado
Caso ACortes seguem mais lentos. Treasury limita a queda dos juros longosDificuldades em alguns setores. Giro caro, mas disponível
Caso BCortes param. Inflação cambial pode exigir altaInadimplência sobe no crédito livre e no consignado
Caso CPrêmio de risco sobe com o dos demais emergentesMenos crédito ao comércio e prazos menores para exportadores
Caso DJuros globais altos e maior aversão ao riscoEmpresas não conseguem emitir dívida. Inadimplência sobe em 2 a 3 trimestres

Análise da Oby Capital. Acompanhar a participação de LFT na dívida, em relação à faixa de 46–50% do Tesouro, a Nota de Crédito do BCB e a substituição de antecipação de recebíveis por capital de giro.

Fonte: Oby Capital · Banco Central do Brasil (Copom de 16/09/2026, Relatório de Política Monetária, Nota de Crédito e Focus), Tesouro Nacional, Febraban, Valor e Reuters (16–17/09/2026)
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Sete séries de frequência semanal ou melhor indicam para qual dos quatro casos o mundo está andando.

Painel de 12 semanas

O que acompanhar

RiscoSérieOnde
EnergiaFluxo por Ormuz, mb/d e número de travessiasIEA · PortWatch (FMI) · Kpler · EIA
DerivadosMargem de refino e preço do diesel nos EUAEIA semanal · AAA
Política monetáriaProjeções do Fed e juros de 2 e 10 anosFederal Reserve · Tesouro dos EUA · CME FedWatch
FiscalSpread França–Alemanha de 10 anos e Treasury de 10 anosReuters · Bloomberg
ComércioParticipação do comércio sob regra MFN e anúncios tarifáriosEstatísticas da OMC · USTR
Investimento em IAInvestimento das empresas de tecnologia e ações de semicondutoresResultados das companhias · BIS
BrasilFocus (IPCA e Selic) e Nota de CréditoBanco Central do Brasil

Países e ativos mais expostos

Os riscos de energia atingem mais os países importadores, como Europa, Índia e partes da Ásia. A alta dos juros afeta mais os títulos de longo prazo. Barreiras comerciais pesam sobre emergentes abertos e fora dos grandes blocos. Uma desaceleração da IA afeta ações e crédito ligados a centros de dados.

Sinais que antecedem a piora da atividade

O seguro de guerra e a margem de refino do diesel indicam pressão no abastecimento. O prazo do capital de giro e o acesso a emissões em moeda forte ajudam a identificar dificuldades de financiamento antes de elas aparecerem no PIB.

Como usar o painel

Nesta análise, a revisão do caso A depende de dois sinais de piora em riscos diferentes no mesmo período. Um indicador isolado pede acompanhamento, mas é insuficiente para confirmar outro cenário.

Fonte: Oby Capital · IEA, PortWatch (FMI), EIA, Federal Reserve, CME, Reuters, OMC, BIS e Banco Central do Brasil · lista de acompanhamento da Oby Capital
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A evolução do conflito não é previsível — a mesa de petróleo do JP Morgan destacou isso em 17/09 —, de modo que isto é um mapa de risco, e não um cenário-base.

Ressalva e fontes

Cenários para avaliar riscos e acompanhar mudanças

A apresentação examina como cada risco afeta a economia, descreve a situação atual e propõe cenários com indicadores para acompanhá-los. Os casos A, B, C e D não têm probabilidades atribuídas. As fontes dos dados e das projeções constam nos rodapés. A Oby Capital elaborou os cenários e suas combinações a partir dessas referências. As hipóteses devem ser revistas à medida que surgirem novos dados.

Data-base

Preços e curvas no fechamento de 18/09/2026. Decisões de política monetária de 16/09/2026. Fluxos de energia referentes a agosto e ao 3º trimestre de 2026.

Fontes consultadas

IEAComentário sobre a oferta do Oriente Médio, 18/09/2026
McKinsey MGIAftershocks, 17/09/2026
Columbia CGEPNota sobre derivados, ago/2026
Federal ReserveProjeções e coletiva, 16/09/2026
OMCWorld Trade Report 2026, 15/09/2026
WEFGlobal Risks Report 2026 e nota de fragmentação, jun/2026
BISAnnual Economic Report 2026 e Working Paper 1364
FMIWEO Update jul/2026 e Fiscal Monitor abr/2026
Banco MundialGlobal Economic Prospects, jun/2026
KplerCenário de conflito prolongado, 29/07/2026
ReutersFed 16/09 · OMC 15/09 · investimento em IA 15/09 · spread da França 18/09
Fonte: Oby Capital · compilação das fontes públicas listadas · data-base 19/09/2026
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Obrigado

Para conversar sobre os efeitos desses riscos nas carteiras de crédito privado, entre em contato com Relações com Investidores da Oby Capital.

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